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O artista em grupo

“Chorintians” diz o grafito na porta da garagem. Algum fã do Corinthians que errou a ortografia? Rui Xavier ri mas não sabe. A garagem na verdade agora é parte do Atelier Concorde (http://atelierconcorde.org), um colectivo de 16 artistas entre os 20 e muitos e os 40 e poucos que há dois anos dividem o aluguel de uma ex-fábrica de biquinis. Numa das casas-de-banho ainda lá está o poster de uma musa “kitsch”. É isto entre Alfama e a Graça, miradouros, escadinhas, ladeiras, o rio lá em baixo, à espreita. Fotojornalista experiente, na imprensa portuguesa e no inglês “The Independent”, Rui Xavier, 38 anos, integrava o colectivo Kameraphoto (que reúne fotógrafos de notícias e de galeria) quando resolveu estudar cinema nos cursos organizados por António Pinto Ribeiro e Catarina Vaz Pinto na Gulbenkian entre 2004 e 2008. Confirmou que queria inflectir para cinema e instalação. E vários colegas de então são seus parceiros hoje, neste Atelier Concorde. Logo à entrada há uma simpática cozinha improvisada por eles. “Cozinhamos e é onde muitas vezes nos encontramos ou vimos tomar chá”, diz Rui. Seguindo pelo corredor, sofás, estantes, posters, postais; ao fundo um ateliê com alto pé direito que todos podem usar; e a partir daí é o espaço de cada um, labirinto onde tão depressa estamos cercados por pinturas como por um piano de cauda ou écrãs de vídeo. As divisórias são improvisadas com prateleiras, cortinas, painéis. Por cima, mezzanines com mais ateliers. (…) Tantos artistas não se perturbam uns aos outros, com os vários sons? “Não, isto tem uma ocupação quase de 24 horas. Eu trabalho muito de manhã, há pessoal que trabalha de noite. E é incrível estar a trabalhar e alguém tocar Bach.”

Alexandra Lucas Coelho, excerto do texto publicado no Segundo Caderno d’”O Globo” no dia 14 de Maio de 2012

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Concorde, Faster than Sound
(excerpt)
They dare to call their artists collective in Lisbon ‘Atelier Concorde’. Whoever wants to be named after the most glamorous, super-sonic aircraft ever made, must have ambition. Founders Nuno Gueifao, Francisca Carvalho and Pedro Faria certainly have. (…)
Right now they are 15 artists to share a refurbished deposit warehouse in Rua Leite Vasconcelos 43A. Most artists are Portuguese, but there is also a Japanese, a Spaniard and a Brit among them. The idea is to be together strong, and to help artists by bringing out their work on the international art scene. Atelier Concorde thus houses an exhibition space, maintains an international network and links with foreign organizations, it collects a budget and applies for support from the EU, it invites foreign artists in residence, etc. (…)They have a working budget of only 100 euros per month for exhibitions, concerts and other activities that puts the collective and its artists in the focus.

Office for Urban Reporting

http://officeforurbanreporting.eu/

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Interview (Pt)

L.C: O que é Lisboa para os Concorde?

A.C: É a cidade onde moramos.

L.C: Falem-me do Atelier Concorde.

A.C: É um artist-run space que fundámos em Janeiro de 2010. Começamos por ser um grupo de amigos à procura de um espaço em que pudéssemos trabalhar perto uns dos outros, discutir até à inconsciência e pensar em maneiras de alargarmos esta estrutura integrando-a como lugar alternativo que pode enriquecer o cenário artístico lisboeta. Entretanto o grupo vai-se alargando e alterando. Acreditamos que a convivência de múltiplas disciplinas artísticas num mesmo espaço produz abertura, confronto, e consistência de ideias e práticas.
Fazemos questão em ouvir opiniões de pessoas com as mais diversas experiências e profissões que tenham interesse e motivação em participar na nossa estrutura. Acreditamos que o fazer artístico se alimenta da partilha e cruzamento de interesses e desejos.

L.C: Quantos projectos diferentes estão na vossa calha?

A.C: Um dos nossos propósitos principais é desenvolver a “sala de projecto” como espaço de exposições, conferências e apresentação de concertos e performances. A ideia é receber e apoiar artistas com interesse em articular o trabalho com as condições específicas da sala. Agora vamos iniciar um ciclo de exposições de artistas convidados. Esta sala é um sítio que quer ser habitado por propostas arriscadas, fulminantes ou discretas, desde que consistentes e feitas com vontade. Outro propósito que temos é continuar a garantir boas condições de trabalho e divulgação aos artistas residentes do atelier.


Le Cool Magazine
, november 24, 2011